Com o vereador da Câmara de Odivelas, Carlos Lourenço, que à data era militar no quartel da Pontinha.
(excerto de um artigo publicado no “Jornal de Odivelas” a 22 de Abril de 2004, assinada por Patrícia Cardoso Fonseca)
A 25 de Abril de 1974 rompe a aurora de um novo Portugal que se queria Democrático, Desenvolvido e Livre. Nada fazia prever o golpe das Forças Armadas que nasce, curiosamente, no agora concelho de Odivelas. Mais precisamente no posto de Comando do Regimento de Engenharia n.º 1 da Pontinha. E tudo fazia antever uma revolta, dado o clima de saturação que a população exalava.
Trinta anos depois, fizemos um percurso pelas datas mais marcantes no antes, durante e após a Revolução dos Cravos. Carlos Lourenço, vereador do Departamento Sociocultural da Câmara de Odivelas, fez connosco este percurso.
1973 – Maio
Protesto dos militares à tentativa de apoio das Forças Armadas ao governo por parte do Congresso dos Combatentes a realizar de 1 a 3 de Junho.
1 de Junho
Início do 1º Congresso dos Combatentes do Ultramar, no Porto, que mereceu a oposição do Movimento dos Capitães.
21 de Agosto
Primeira reunião clandestina de capitães em Bissau.
28 de Agosto
Eleição da 1ª Comissão do Movimento dos Capitães, constituída pelos Capitães Almeida Coimbra, Matos Gomes, Duran Clement e António Caetano.
9 de Setembro
Nasce o MFA na 1ª reunião plenária clandestina dos capitães.
6 de Outubro
Reunião quadripartida do MFA sendo um dos locais a casa do Capitão Antero Ribeiro da Silva, em Odivelas.
Jornal de Odivelas – Que reunião foi esta em Odivelas?
Carlos Lourenço – Foi uma reunião preparatória, já muito próximo do 25 de Abril, mas ainda em 73, a 6 de Outubro. O Movimento das Forças Armadas fez uma reunião em quatro locais diferentes, por questões de segurança, e uma delas foi em Odivelas na Av. Professor Dr. Augusto Abreu Lopes, no número 24, 2º esquerdo, onde residia na altura o Capitão do MFA, Ribeiro da Silva. E dessa reunião, em que esteve presente o Capitão Vasco Lourenço, terão saído decisões importantes. Portanto, Odivelas também teve um grande contributo nesta Revolução, ainda sem sequer se sonhar o que estava em curso. No local, hoje está colocada uma placa junto ao número 24 onde se assinala essa primeira reunião. Isto é um pormenor desconhecido de muita gente. Odivelas, tem, realmente, uma história importantíssima e relevante em termos de país e isso remonta ao século XII / XIV, desde logo com a construção do Mosteiro de Odivelas e o que ele representou para a corte portuguesa ao longo de vários anos. O nosso concelho é um marco da História do país e da História recente de Portugal e da Democracia Portuguesa.
23 de Outubro
Circular clandestina faz um ponto da situação.
24 de Novembro
Reunião plenária, na Parede, onde o tenente-coronel Banazol defende, pela primeira vez, a tese de golpe militar.
1 de Dezembro
Reunião plenária, em Óbidos, onde votam três teses alternativas: golpe militar; continuação da luta contra os decretos de lei 353/73 e 409/73 sobre o estatuto dos capitães, com perspectivas de passar a golpe e continuação da luta legalista contra os decretos. É aprovada a última hipótese, mas a tese de golpe militar ganha apoios e elege-se, pela primeira vez, uma Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães.
1974 – 22 de Fevereiro
Publicação do livro “Portugal e o Futuro”, do General Spínola, que abalou o regime e, em particular, Marcello Caetano.
5 de Março
Reunião de cerca de 200 oficiais dos três ramos das Forças Armadas. Pela primeira vez fala-se da possibilidade do fim da guerra colonial e no derrube da ditadura. É aprovado o documento “O Movimento das Forças Armadas e a Nação”.
8 de Março
O governo transfere alguns dos Capitães de Abril para outros postos de forma a enfraquecer o Movimento. Os capitães são raptados e escondidos pelo Movimento na altura do embarque de alguns para as ilhas.
24 de Abril
Prepara-se o golpe no Posto de Comando do MFA, no Regimento de Engenharia n.º 1 da Pontinha.
P – Na Pontinha concentrou-se um movimento que marcou a História Moderna. Como é que o agora concelho de Odivelas viveu esse dia?
R – No 25 de Abril eu era militar e, sendo da Pontinha, tive oportunidade de assistir a toda a movimentação em torno do Regimento de Engenharia n.º 1, do aparato de cortes de ruas, a população da Pontinha já não saiu de manhã para os empregos, e, ao fim do dia, já a população assistiu a todo o movimento, nomeadamente, recordo que o Prof. Marcello Caetano, quando veio do Carmo, passou essa noite de 25 para 26 no Regimento. Obviamente que ao que pude assistir foi aquela satisfação generalizada e espontânea da população que, com a sua adesão ao movimento, contribuiu decisivamente para que a Revolução também fosse um êxito e que as acções do movimento fossem irreversíveis.
25 de Abril
Dá-se a Revolução dos Cravos.






















Publicado por vmar em abril 23, 2004 12:11 AM
22 cravos?!
25 x 30... pelo menos...
Um abraço,
Francisco Nunes
P.S. mas também concordo que 750 cravos é muito cravo...
Afixado por: Planície Heróica em abril 24, 2004 01:12 AM